Quando o Corpo e a Mente Dão o Alerta
Os sintomas surgiram de maneira sutil, quase invisível. Primeiro, era só um pouco de cansaço extra ao final do dia. Depois, vieram as noites de sono interrompido, onde acordava sem conseguir entender por que o descanso parecia nunca ser suficiente. Eu me pegava pensando no trabalho no meio da madrugada, fazendo listas mentais do que precisaria resolver no dia seguinte. Essa ansiedade foi se transformando em uma presença constante, uma espécie de pressão interna que me guia o tempo todo.
Com o tempo, o cansaço passou a ser físico. Senti meus ombros e costas mais tensos, como se eu estivesse literalmente carregando um peso invisível. As enxaquecas começaram a aparecer, e o que antes resolveu com uma boa noite de sono ou um remédio já não fazia efeito. Passei a sentir dores pelo corpo, uma fadiga que parecia surgir do nada e se espalhava pelos meus músculos.
No entanto, o sintoma que mais me assuntou foi uma mudança emocional. Pequenas coisas me tiravam do sério, e às vezes me via explodindo com pessoas próximas por motivos banais. Eu estava me tornando alguém que eu não reconhecia, e isso me causava culpa e vergonha. Meus amigos e familiares não perceberam que algo estava errado, mas eu ainda não consegui aceitar o que estava acontecendo. A sensação de “fraqueza” me deixou frustrado, e continuei insistindo que “era só uma fase”.
Na verdade, essa fase era apenas o começo de um ciclo desgastante. Minha mente parecia estar num modo de sobrevivência, sempre em alerta, e as coisas que antes me traziam prazer – como passar tempo com a família ou ler um bom livro – se envolvessem tarefas pesadas. O burnout começou a apagar os núcleos da minha vida, e aos poucos, fui percebendo que aquela versão de mim, resiliente e dedicada, estava se desmanchando.
Eu provavelmente presumo: o burnout não era apenas uma etapa passageira. Era um grito do meu corpo e da minha mente por ajuda. Foi quando entendi que não bastava apenas "continuar tentando".

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