Enquanto o burnout tomava conta de mim, uma das coisas mais difíceis era percebida como as pessoas ao meu redor reagiam – ou, muitas vezes, deixavam de reagir. Em meio ao caos interno que eu vivia, aqueles que faziam parte da minha vida passaram a se posicionar de maneiras que eu nunca imaginei. Cada um com seu próprio jeito, suas próprias razões. Havia os que não perceberam, outros que até perceberam, mas não se importaram. E, claro, também havia quem quisesse, mas por conveniência, sem muita disposição para entender o que eu realmente estava passando.
Desde o principio a maioria parecia não notou. Eu chegava no trabalho com a mesma expressão, fazia o que precisava ser feito, mas sem a entusiasmo de antes. Para eles, isso talvez pareça apenas uma fase, uma pequena variação de humor que todo o mundo enfrenta. Mas, aos poucos, a indiferença deles começou a pesar. Eu me senti sozinho, invisível dentro da minha própria dor. Era estranho ver como ninguém percebeu que eu estava ali, tentando desesperadamente manter o mínimo de normalidade enquanto, por dentro, me desmanchava.
Alguns poucos perceberam, mas suas reações foram desanimadoras. Para esses, o era um sinal de fraqueza, algo que eu "não deveria me deixar afetar". As frases vinham cheias de um falso incentivo: "É só uma fase, logo você melhorou" ou "Você é forte, não se deixe abater." Ouvia aquilo e me senti ainda mais exausto, pois parecia que, para eles, meu esgotamento não era real, e minha dor era algo trivial, fácil de superar com um pouco de “força de vontade”.
Outros pretendiam se aproximar, perguntando se eu precisava de algo, mas a disposição parecia superficial. Esses davam conselhos rápidos, como quem queria marcar o ponto do apoio sem realmente se comprometer. Era como se dissessem: "Eu tentei ajudar, então meu papel está cumprido." Eles perguntaram uma vez, duas no máximo, e ao ver que eu não melhorava, se afastavam, como se estivessem isentos de qualquer responsabilidade. Em vez de ajuda, era quase um protocolo.
O mais decepcionante, no entanto, foi perceber que alguns estavam interessados em usar a minha fraqueza como moeda. Para essas pessoas, uma oportunidade de se sentirem superiores, de mostrarem que estavam "bem" enquanto eu me afundava. Eles fizeram questão de deixar claro que eu estava em um lugar diferente – Em reuniões, certos colegas tentaram sobressair justamente nos pontos onde eu não consegui mais detalhar tão bem. Parecia que minha dor, para eles, era uma chance de fortalecer o próprio valor.
Assim para alguns essa jornada é solitária. Aqueles que realmente se importam são raros, e muitos veem a fragilidade alheia como algo específico ou até mesmo útil para seus próprios interesses. Encontrei mais portas fechadas do que mãos contínuas, e isso tornou o processo ainda mais solitário e pesado. Foi um aprendizado duro, mas necessário: no fim, só eu poderia enfrentar essa batalha por mim mesmo, sem esperar que alguém entendesse totalmente o que eu estava vivendo.
E assim, passo a passo, aprendi a resiliência também vem de saber deixar para trás as expectativas que temos dos outros.

Comentários
Postar um comentário